08/03/2019

You are my destiny: Capítulo 11 - Signals


jonas brothers voltou e eu também!


O amor é um jogo cruel, a não ser que você o jogue bem e direito. 
— Taylor Swift


UM MÊS DEPOIS
CASA DA DEMETRIA, 09:00

          A vida é uma caixinha de surpresas e Demi descobriu isso durante cada dia que se seguiu desde que a verdade sobre seu retorno apareceu na televisão. Lewisville era uma cidade pequena, logo todos ficaram sabendo e facilmente alguém era visto comentando o caso em alguma esquina! Consequentemente os antigos moradores se lembraram de que se tratava da mesma garota que escandalizou todos anos atrás após uma tentativa de suicídio e para Demetria aquele lugar tornou-se impossível de se viver. Durante esse momento difícil seus amigos se revelaram ser verdadeiros anjos! Eles apareciam diariamente para dar apoio e tirá-la de casa, era melhor encarrar os olhares e fofocas do que fingir que aquilo não estava acontecendo. Não foi uma tarefa fácil, mas depois de um tempo as pessoas simplesmente se cansaram de falar, pois ela ignorava e não se importava, então já não tinha mais "graça". Uma pessoa que ajudou muito também foi Jesse, ele apareceu apesar de tudo que ouviu falar sobre ela e ganhou total confiança de Demetria. Foi como se tudo aos poucos fosse se encaixando e Demi sentiu-se plenamente feliz para se permitir viver novas experiências.

          As cortinas do quarto balançaram por causa da brisa matinal que soprou pela janela e os raios de sol oscilarão sobre o casal que ainda dormia na cama. Jesse acordou primeiro, ele olhou para o relógio no criado mudo e fez uma careta por saber que era apenas uma questão de tempo até precisar ir trabalhar. As coisas haviam ficado bagunçadas para ele no últimos dias! Estar com Demi mudou completamente sua rotina e uma mudança assim depois de tanto tempo causava certo impacto. Os horários, por exemplo, ele havia se atrasado muitas vezes por acordar tarde e dormir demais, seu pai ficava furioso. Pensar nas mudanças o fez rir baixo, antes de Demetria ele quase não saia por estar trabalhando ou ajudando seu pai, agora ele sentia que tinha uma vida e queria aproveitar ao máximo com a pessoa que lhe proporcionou tal liberdade. Demi sentiu a luz do sol no rosto e fez uma careta escondendo o rosto no peito nu de Jesse, ele inclinou-se depositando um beijo no topo de sua cabeça.

— Hora de acordar, dorminhoca. — Ele afagou-lhe as costas.
— Mais cinco minutos. — Resmungou.
— Guarde esses cinco minutos para me beijar antes de eu ir embora. — Brincou.
— Tudo bem, eu já estou acordada. — Demi sentou-se na cama e esticou os braços espreguiçando-se sem se importar com sua nudez. — Bom dia. — Ela disse virando-se para cumprimenta-lo. A visão de uma Demetria sorridente e levemente descabelada sob o sol, era uma verdadeira obra de arte! Jesse tinha um bom olhar artístico, ele era secretamente um amante de pintura e mordeu o lábio pensando em pedir permissão para fazer um esboço dela.
— Ótimo dia, amor. — Ele sorriu e viu a expressão dela mudar por alguns instantes. Demi sentia-se desconfortável com certos apelidos carinhosos e isso era algo que ele precisava aprender, pois isso não trazia boas lembranças para ela. — Me desculpe, eu esqueci de novo.
— Está tudo bem. — Demetria deitou-se ficando de frente com ele. — Tudo é questão de costume, não é mesmo?
— Sim, eu prometo que vou aprender.
— Eu sei que vai, Jesse. — Ela lhe deu um selinho e sorriu.

— Dormiu bem?
— Sempre durmo bem quando você está aqui. — Demi comentou. — Sinto que estou sendo mimada.
— Se depender de mim você vai ser muito mimada! — Jesse lhe deu uma piscadinha.
— Eu queria retribuir na mesma proporção tudo o que você faz por mim. — Disse sem conseguir conter um suspiro. O rapaz sabia bem do que ela estava falando e ficou pensativo alguns instantes. Dias atrás ele havia lhe pedido em namoro, felizmente foi algo privado e isso tornou a situação um pouco menos "constrangedora" já que Demi não aceitou. Jesse não ficou chateado, eles conversaram e ele entendeu perfeitamente o lado dela! Demetria queria estar com ele e isso era um fato incontestável, ela só não estava pronta para rotular a relação deles. Ela queria estar mais confiante consigo mesma para fazer isso e estava tudo bem, seria no tempo dela e até lá eles deixariam as coisas acontecerem naturalmente.
— Demi, você não precisa ficar remoendo o que aconteceu. O.k? Não tem problema em não rotular nossa relação e deixei claro que isso não me faria gostar menos de você. — Jesse acariciou-lhe uma das bochechas com o polegar.—  Eu estou aqui com você e não me imagino estando com mais ninguém! Você não precisa sentir necessidade de retribuir isso ou aquilo para compensar alguma coisa, eu nunca vou questionar alguma decisão sua sabendo que é para o seu bem. — Demi sentiu os olhos arderem de tamanha emoção que as palavras dele lhe causaram. Como podia existir homens tão bons e ao mesmo tempo homens tão ruins nesse mundo? Ela sentia-se sortuda por tê-lo encontrado em um momento tão difícil e complicado da vida! Jesse era um verdadeiro tesouro.

— Obrigada. — Demi o abraçou.
— Eu gosto de você. — Ele disse ao pé de seu ouvido e beijou-lhe a bochecha. — Muito. Muito. Muito. Muito! Eu gosto muito de você. — Eles permaneceram abraçados por alguns instantes até Jesse partir delicadamente o abraço e levantar da cama; ele vestia apenas uma cueca.
— É reciproco e você sabe. — Ela sorriu ainda deitada e piscou para ele.

— Vou fazer o café. Algum pedido especial? — Demi sentou-se na cama e ficou pensativa alguns instantes.
— Vou deixar você me surpreender.
— Você não se cansa mesmo de surpresas, né?
— Não, desde que elas sejam boas. — Ela deu de ombros e riu.
— Eu volto já! — Jesse sorriu e Demi mandou um beijo no ar para ele que fez dramaticamente um gesto de quem o pegou desaparecendo pelo corredor instantes depois.

          Demetria suspirou sentindo o coração bater acelerado no peito, ela levantou-se para fazer sua higiene matinal e assustou-se pela bagunça que estava seu cabelo! Ela riu consigo mesma imaginando como Jesse conseguia ver beleza naquele estado de caos. Enquanto penteava os cabelos acabou por relembrar o primeiro encontro deles e em como ele pareceu simplesmente o cara perfeito desde o primeiro instante! Jesse estava se saindo muito bem na tarefa de conquista-la e parte dela encheu-se de esperança de que um dia ela conseguiria chama-lo de "meu namorado".


          Para o primeiro encontro Jesse levou Demetria em um restaurante com mesas ao ar livre, eles sentaram-se na melhor mesa e foram privilegiados com um belo pôr do sol refletindo nas água do Lewis Lake. Demi não ficou sem palavras durante algum tempo, ela havia passado tempo longe o suficiente para esquecer a beleza daquela cidade! Em momentos assim ela sentia-se grata por estar de volta.

— É lindo, não acha? — Demi desviou os olhos da paisagem para Jesse e percebeu que ele já estava olhando para ela; o rapaz sorriu levemente corado.
— É um dos meus lugares favoritos e imaginei que fosse gostar.
— Obrigada pelo convite, eu estava mesma precisando de algo novo. — O garçom apareceu para entregar os cardápios e perguntar sobre as bebidas, Jesse recomendou que Demi provasse a cerveja artesanal do lugar e ela aceitou.
— Confesso que estava ansioso por esse momento.

— Você não costuma sair muito? — Demi colocou o cardápio de canto na mesa e olhou diretamente para ele; Jesse fez o mesmo com o seu e olhou para ela sorrindo.
— Algumas mulheres não gostam de homens sujos. — Jesse brincou mostrando suas mãos manchadas de graxa! Por mais que ele lavasse, era difícil de retirar aquela coloração escura dos dedos e o máximo que ele conseguia retirar o cheiro.
— Você sempre quis trabalhar com carros? — A pergunta o deixou pensativo por alguns segundos.
— Sempre quis estar com as mãos sujas, mas nada que envolvesse veículos. Eu queria mesmo era ser pintor! Sou um verdadeiro amante de arte.

— Sério?
— Sim, eu sou capaz de desenhar ou pintar qualquer coisa. — O brilho nos olhos dele transpareceu a paixão descrita por ele.
— E como um artista vai parar embaixo de carros?
— É uma longa história.
— Veja que sorte, eu tenho a noite toda para ouvir. — Demetria sorriu e ele assentiu rindo baixo.

— Eu nasci e fui criado pelos meus pais nessa cidade até os quatro anos. Eles se separaram no meu aniversario de cinco anos, literalmente no dia do meu aniversário e fui morar com minha mãe. Ela sempre cuidou muito bem de mim, mas foi difícil crescer sem um pai e ter homens constantemente passando pela vida sem ficar! O que posso dizer? Mamãe teve muitos namorados. — A bebida chegou juntamente com a comida e eles agradeceram. — Isso me deixou muito bravo e passei a me comportar de um jeito que tornou a vida dela um verdadeiro inferno! Ela acabou por não aguentar minha rebeldia e tomou uma decisão que nunca pensei que ela fosse tomar.
— Deixe-me adivinhar... — Demi disse ao bebericar o copo de cerveja. — Ela te mandou de volta para cá?
— Sim, eu tinha uns dezesseis anos e vim morar com o meu pai que me visitou pouquíssimas vezes. Foi estranho no começo, nós não nos conhecíamos muito bem e levou um tempo até que me acostumasse com ele. Meu pai se mostrou uma pessoa muita boa e paciente comigo, ele me deu um trabalho e isso me fez criar responsabilidade. Somos nós dois desde então, ele nunca me proibiu de pintar ou de ir atrás do meu sonho de viver de arte, mas deixá-lo aqui sozinho nunca foi uma opção. Eu não sei se você entende, mas sabe quando você ama muito uma pessoa e não quer deixá-la? — A imagem de Joseph pairou em sua mente e Demi sentiu-se um pouco perturbada já que fazia uns dias que eles não se falavam. — Não quis arriscar perdê-lo ou jogar para o alto uma boa relação de pai e filho que levou anos para ser construída.
— Eu entendo, Jesse. — Demetria segurou-lhe a mão na mesa e apertou de leve demonstrando apoio. — E sua mãe, vocês ainda se falam?
— Sim, eu fiz questão de me desculpar quando percebi que estava errado e que ela só estava tentando fazer o melhor para nós. Hoje conversamos todos os dias por telefone e ela está bem, feliz por ter se casado novamente! Visito ela uma ou duas vezes por mês.
— Eu fico feliz por vocês terem uma boa relação.

— E você, tem uma boa relação com seus pais? — Demi recolheu sua mão educadamente e comeu um pouco antes de falar, ela precisava pensar nas palavras e usa-las com cuidado para não remoer nada de ruim que aconteceu no passado.
— Meus pais não tiveram nada sério e minha mãe me criou praticamente sozinha, eu não levo em consideração as casas por onde passamos. Conheci pessoas boas, mas conheci muitas pessoas ruins nessa loucura toda e a melhor coisa que me aconteceu foi pararmos aqui! De tantos caras idiotas que minha mãe namorou, Paul foi um anjo que caiu do céu e ele foi o relacionamento mais longo que ela teve com alguém. — Demetria sorriu ao se lembrar dele. — Ele nos deu um lar e uma família, eu sempre o considerei um pai. Você provavelmente deve ter ouvido minha história, né? — Jesse assentiu e olhou por alguns instantes as letras que cobriam as cicatrizes que ela carregava nos pulsos. — Minha mãe me levou embora e até eu conseguir me livrar da nossa relação tóxica, ah... levou muito tempo! Juro que pensei que não fosse conseguir, mas deu tudo certo e construí uma vida saudável longe dela. Minha mãe sempre foi uma pessoa complicada e meu pai biológico um bônus, sabe? Eu sempre quis acreditar que as pessoas pudessem mudar e que fazer maldades fosse consequência de uma vida difícil, mas nada justifica crueldade. Eles foram e são assim por escolha! Hoje eu não falo com eles e antes doía em mim, mas é algo com o qual me conformei. Nós escolhemos nossa família e a minha está aqui com Joseph e meus amigos. Eles são tudo pra mim!
— Quanto mais eu te conheço, mais te admiro. — Jesse disse após algumas garfadas no prato.

— Está me deixando sem graça.
— Você é uma mulher muito forte! Eu conheço pessoas que tiveram uma vida muito difícil e que acabaram se tornando más por causa disso. Você passou por um verdadeiro inferno e teve razões o suficiente para ser a pior pessoa do mundo, mas escolheu ser boa.
— Isso é verdade. — Demi respondeu sorrindo de leve.

— Um brinde a ser bom? — Ele levantou o copo.
— Um brinde a ser bom. — Ela deu risada e bateu o copo ao dele.
— Eu espero ser parte de algo novo e especial na sua vida.
— Você já é especial, Jesse.


          Pensar naquela noite arrancou suspiros de Demi, ela não se lembrava de ter se divertido tanto em um encontro antes! Eles conversaram bastante e depois caminharam de mãos dadas pela beirada do lago; Jesse era muito romântico. Tanto que ele só aceitou o convite de "entrar na casa" depois do segundo encontro, eles já se conheciam bem o suficiente e foi uma noite e tanto aquela! Lembrar-se dos beijos, caricias e da pele quente dele contra a sua lhe causou deliciosos arrepios pelo corpo. O susto veio quando os braços dele envolveram sua cintura e ela riu olhando para ele através do espelho, naquele momento Demi admitiu para si mesma que eles formavam um lindo casal.

— Você me assustou.
— Eu te chamei duas vezes e quando entrei você parecia estar "longe". — Jesse lhe deu um beijo na bochecha. — Estava se admirando no espelho? Eu não te culpo, você é realmente muito linda. — Demi riu.
— Não é nada, bobo. Eu estava apenas me lembrando de algumas coisas. — Ela virou-se para ele sorrindo.

— Hummm.... é sobre mim?
— Será que devo dizer? — Demi arqueou uma das sobrancelhas pensativa e ele deu um passo adiante tornando o pequeno espaço entre eles se tornar inexistente.
— Eu posso ter formas bem persuasivas para te fazer falar. — Ele respondeu com aquele tom de voz sexy que Demi tanto amava e por mais que quisesse resistir, acabou por morder os lábios.
— É mesmo? Me mostra. — Ela respondeu no mesmo tom e Jesse sorriu inclinando-se para beijá-la. O ronco que veio do estômago de Demi foi tão alto que acabou por cortar o clima e os dois acabaram se entreolhando e rindo!

— Eu já trouxe o café. Está com fome? — Ele perguntou tentando conter o riso.
— Sim, muita fome! — Ela admitiu um pouco envergonhada.
— Então venha, vamos comer. — Jesse piscou para ela e segurou-lhe uma das mãos enquanto saiam do banheiro juntos.

****

          Após o café da manhã, Jessie arrumou-se para ir embora e Demi aproveitou para tomar um banho rápido; ela pegaria carona com ele até o centro da cidade para fazer algumas comprinhas. Ela arrumou-se em poucos minutos de forma casual e Jesse observou atentamente, aquela cena era algo com o qual ele podia se acostumar sem esforço algum! Eles saíram juntos e Demetria colocou o capacete rosa com certa animação, ela adorava andar de moto com ele. O caminho da casa dela não era mais que quinze minutos, mas Jesse aproveitou as ruas desertas para acelerar mais um pouco e fazer sua amada gritar pela adrenalina. Pouco tempo depois ele estacionou e Demi desceu rindo pela pequena bagunça que o capacete fez em seu cabelo, ela se irritava um pouco no começo, mas acabou se acostumando.

— Está melhor? — Perguntou para Jesse após dar uma ajeitada em seu coque e ele retirou o próprio capacete para olha-la.
— Está linda! — Demi sorriu.
— Obrigada pela carona.
— Achei que tivéssemos passado da fase dos agradecimentos. — Brincou.

— Ah, então você não quer um beijo de agradecimento? — Ela arqueou uma das sobrancelhas e Jesse fez careta.
— Você sabe mesmo pegar o ponto fraco de alguém, né?
— De alguém? O seu, querido. — Riu e lhe deu um beijo de despedida.
— Eu te ligo mais tarde, o.k?

— Acho que até lá vou ter um celular em mãos. — Demi disse animada.
— Já tem meu número e pode me mandar uma mensagem quando conseguir baixar seus aplicativos.
— Eu vou mandar. — Ela sorriu. — Tenha um bom dia no trabalho!
— Divirta-se fazendo compras. — Ele lhe deu uma piscadinha e colocou de volta o capacete. Demetria acenou enquanto ele se afastava na moto e ele buzinou algumas vezes para ela atraindo alguns olhares.

          Demetria não ficou ali parada por mais tempo, ela tratou de ir em algumas lojas dar uma pesquisada no preço de um bom aparelho celular e acabou por comprar na terceira loja de eletrônicos que entrou. Ela pagou sem precisar parcelar e isso lhe deixou muito feliz! Finalmente sua vida financeira estava entrando nos eixos e ela era muito grata por Ariana ter lhe dado uma oportunidade de trabalho. Enquanto saia da loja, Demi pensava nas roupas que precisava comprar tanto que acabou se distraindo por alguns instantes e esbarrou com alguém na calçada.

— Sinto muito, me desculpe... DEMI! — Joy disse sorrindo e logo lhe cumprimentou com um beijo na bochecha.
— Oi Joy, tudo bem? — Ela sorriu.
— Estou bem e você? Faz tempo desde a última vez que nos vimos.
— Estou bem. — Demi colocou uma das mechas rebeldes de cabelo atrás da orelha. — Me desculpe por estar sumida, eu tenho estado bem ocupada.
— Sim é claro, namorando aquele bonitão. — Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas estava tão envergonhada que acabou por não dizer nada por alguns instantes.

— Você veio sozinha?
— Não, eu vim com meu pai. — Joy explicou segurando inúmeras sacolas. — Ele está bem ali. — Apontou e Demi olhou tendo certa dificuldade de encontra-lo. Joseph estava usando chapéu, óculos escuros e camisa xadrez, aquela roupa típica de quem vive na fazenda. Ele estava conversando com uma mulher bonita e segurava-lhe a mão enquanto anotava algo na palma da mesma! A atitude dele impressionou Demetria.

— Ele faz isso sempre? — Riu baixo.
— Não, mas digamos que ultimamente a vida dele tem sido bem movimentada.
— Mesmo?
— Sim, cada dia ele sai com alguém diferente.
— Você não se importa com isso?
— Não, ele precisa alguém legal e nunca me perdoaria por interferir nisso. — Joy suspirou.
— Ele me disse uma vez que se sentia muito sozinho, eu só não imaginava que fosse nesse sentido. — Demetria sentiu algo dentro dela revirar e doeu de uma forma como ela nunca sentiu doer antes! O que seria aquilo?

— Papai precisa de uma namorada e eu ficaria feliz se ela fosse alguém como você.
— Alguém como eu? — Ela arregalou os olhos e riu.
— É você é legal! Sem contar que conhece o papai muito bem. Você não imagina como é ter que aturar uma dessas mulheres em casa que não se dão ao trabalho de conhece-lo direito. — Joy revirou os olhos. — E lá vem ele! Não é por nada não, mas eu acho meu pai um homem bom demais para sair com certas mulheres aqui da cidade. É claro ver que é apenas pela aparência ou até mesmo pelo dinheiro e isso é muito triste, ele sabe disso e acho que é o motivo dele não ter "apresentado" nenhuma oficialmente como namorada. — Joseph ainda estava consideravelmente longe delas, mas Demi percebeu que ele atraia todos os tipos de olhares vindo de ambos os sexos. Ele retirou o chapéu, os óculos e sorriu ao vê-la, Demetria deixou um suspiro escapar e se deu conta naquele momento que Joe havia se tornado um homem muito atraente!

— Oi sumida, tudo bem? — Ela sorriu e recebeu um abraço apertado e um beijo estalado na bochecha. Mesmo quando Joe partiu o abraço, seu cheiro ficou impregnado nela! O perfume que ele usava era muito bom, isso ela não podia negar.
— Eu estou bem e você? — Perguntou.
— Ah, eu estou bem. Novidades? Faz tempo que não nos vemos e sinto sua falta. — O modo como a voz dele suavizou ao falar as últimas palavras fez o coração de Demi acelerar, ela partilhava do mesmo sentimento e as vezes sentia que estava sendo negligente com Joseph por não ser uma amiga presente. Joe havia passado por muita coisa e talvez estar saindo com tantas pessoas diferentes fosse apenas uma distração para mascarar algum sentimento que ele escondia e ela temia que fosse dor! Ela mais do que ninguém sabia como era sufocante sofrer calada por algo ou alguém.

— Se eu fosse falar tudo, você provavelmente ficaria aqui comigo por horas.
— Eu não me importaria. — Joy olhou do pai para Demi com certa expectativa e acabou por revirar os olhos pela falta de iniciativa.
— Ele está livre essa tarde, não que eu tenha algo com isso. — A garota deu de ombros. — Não é mesmo? — Ela encarrou o pai e Joe assentiu um pouco corado.
— Sim, é... você gostaria de tomar um café comigo?
— Eu adoraria! — Demi sorriu. — Vai ser uma ótima oportunidade de colocarmos o papo em dia. Nos encontramos aqui?
— Sim. 14:30 está bom?
— Parece perfeito. — Ambos sorriram.

— Precisamos ir agora, ele precisa me levar na casa da Tia Zara.
— Você e Zara conversaram? — Zara ainda não havia entrado em contato com Demetria e parte dela já estava até perdendo qualquer tipo de esperança.
— Não, mas ela aceitou ajudar Joy com um projeto da escola. Eu vou até lá e ver se consigo alguma coisa, o.k? — Joe tocou-lhe o ombro demonstrando apoio e ela assentiu. — Não desista, o.k?
— O.k, boa sorte. — Eles se despediram.
— Obrigado. Vejo você mais tarde! — Joe piscou para ela e Demi assentiu.

— Quando for apresentar meu projeto, eu quero que você vá assistir. Você promete ir? Significa muito pra mim. — Joy perguntou segurando uma das mãos de Demetria e ela assentiu.
— Eu prometo que vou, Joy.
— Ah, muito obrigada! — Ela abraçou Demi e sorriu despedindo-se dela. — Meu pai te passa os detalhes depois, o.k? Tchau.
— Tchau, anjo. — Demetria sorriu e acenou enquanto eles se afastavam, Joseph virou-se uma última vez para olha-la e sorriu fazendo-a sorrir também. Ele seria capaz de arrancar qualquer coisa dela!


          A cada passo que dava para longe dela Joseph sentia seu coração bater acelerado, ele sentia que precisava parar e respirar fundo antes de perder o controle. Já havia se passado um mês desde que havia seguido o concelho de Sophie e por mais divertido que tenha sido conhecer novas mulheres, ele percebeu que isso aumentava cada vez mais seu desejo de estar com Demetria. Quando ele estava em um encontro, imaginava como seria se fosse com ela e tantas outras situações que ele não podia enumerar! Céus, ele só queria tomar as rédeas do próprio coração e fazê-lo se acalmar. O caminho até o apartamento de Zara foi bastante animado e felizmente ajudou Joseph a tirar um pouco do foco em seus sentimentos e mantê-lo na garota. Ela estava empolgada e parte dele já estava curiosa para saber do que se tratava esse "grande projeto" escolar! Joy pegou as sacolas rapidamente e saiu correndo de forma desajeitada para segurar o elevador, Joe balançou a cabeça e alcançou a filha ajudando-a com as sacolas. Em pouco segundos eles estavam no vigésimo andar tocando a campainha do apartamento de Zara e pela primeira vez desde que eles adentraram no prédio, Joseph sentiu-se nervoso. Fazia mais de um mês que não falava com Zara e eles nunca haviam passado tanto tempo sem se falar! A porta abriu de repente o despertando de seus pensamentos e ele pôde ver a expressão de surpresa no rosto da loira ao vê-lo ali.

— TIA! — Joy disse alto e abraçou Zara.
— Oi meu anjo, tudo bem? — A loira retribuiu o abraço e sorriu afastando-se para olhar a garota. — Céus, você cresceu bastante! Parece até que fiquei anos sem vê-la. — Disse verdadeiramente impressionada.
— Estou bem e você? — Perguntou sorrindo. — Ah, só alguns centímetros. Eu vou ser baixinha igual meu pai! — Sophie era alguns centímetros mais alta que Joseph e isso sempre era motivo de brincadeira por parte de alguém. Zara o olhou por alguns instantes e riu da comparação feita por Joy, ela não estava dizendo nenhuma mentira.
— Muito engraçadinha. — Joe fez careta. — Onde posso colocar as sacolas?
— Aqui no canto, depois eu mesma levo para dentro. — "O.k, ela não me quer dentro da casa dela." Joseph pensou e colocou as sacolas onde ela havia indicado.

— Me liga quando terminarem e eu te busco, o.k?
— O.k, papai. — A garota assentiu e despediu-se dele. — Até mais tarde! — Ela sorriu e adentrou levando as próprias sacolas consigo.

— Se você me der licença... — Zara deu um passo para trás para fechar a porta, mas Joseph segurou impedindo-a de fechar e suspirou.
— Zara, eu sinto sua falta.
— Sério? Não é o que parece. — Ela disse com certa ironia na voz. — Desde que Demi chegou as únicas pessoas que vieram aqui foram Camila e Niall, o resto nem se deu o trabalho de mandar uma mensagem para saber se estou viva! Mas olha bem pra mim, acha que estou surpresa? Acha mesmo que me surpreendo que vocês me troquem assim tão fácil? — Zara arqueou uma das sobrancelhas e riu. — Não, eu não me surpreendo. Quando ela chegou foi assim também, de repente tínhamos um membro novo no grupo e tudo era as mil maravilhas! O problema é que Demi tomou um espaço grande demais na vida de vocês tão grande que não sobrou muito pra mim. Eu nunca reclamei ou disse nada antes, pois me sentia privilegiada demais tendo uma família que me amava e fazia tudo por mim, quando tinha ela que nem isso tinha direito e sofria muito! Eu me sentia horrível em querer cobrar uma atenção de vocês e pensava "Poxa, ela precisa mais disso." Mas não é desculpa, não justifica excluir alguém e nem sentir falta dela ali. Se algum dia eu dei a impressão que de gosto de ficar sozinha, não passava de uma mentira para não ser taxada de egoísta por cobrar algo e ainda correr o risco de perder os únicos amigos que tive durante toda a minha vida! Me desculpe se não acredito em você, mas não quero passar por isso tudo de novo e ainda ter que recolher os caquinhos do seu coração.
— Zara, eu estava envergonhado demais para aparecer antes e imaginei que você precisava de tempo para processar tudo. Eu não sabia que você se sentia assim e gostaria que tivesse me contado antes, não fizemos nada disso com você intencionalmente. O.k? Eu nunca machucaria você e tenho certeza que nossos amigos também não.

— Você já fez isso quando escolheu aceitar ela de volta.
— Não se trata de escolher alguém, Zara!
— Se trata de escolher ficar ao lado de pessoas que te fazem bem, Joseph! E você escolheu estar ao lado dela e olhe só pra você, está sofrendo tanto quando antes.
— Isso não é verdade.
— Não? Olha nos meus olhos e diz que não está doendo. Olha bem pra mim e me diz que não se sente mal por vê-la amando outro cara ao invés de você! Seja convincente e eu retiro o que disse sobre ela.
— Eu não posso fazer isso. — Joe disse após alguns instantes.

— Você é um idiota!
— Eu não escolhi isso! Acha que eu gosto de estar preso nessa situação? Eu podia jurar que não sentia mais nada e que esse sentimento simplesmente havia morrido, mas isso não aconteceu. Não estou na melhor das situações aqui e tudo que eu estou tentando fazer é reduzir os danos e as perdas, Zara. Eu não quero perder você! Nossa amizade significa muito e eu preciso de você.
— Eu não quero ter essa conversa agora.
— Se não quisesse, você nem teria me deixado começar!
— É esse o problema, eu amo você demais para dizer "não". — Zara disse com a voz embargada e as lágrimas vieram sem que ela conseguisse segurar, não tinha como aguentar aquela situação indefinida por mais tempo. Joseph aproximou-se dela com cuidado, tocou-lhe o ombro e acabou por envolvê-la em um abraço apertado. — Que droga, Joseph. — Ela bem que tentou resistir ao abraço e afasta-lo mãos foi em vão, ele não estava disposto a ir embora e desistir dela. Isso era uma das coisas que ela amava e odiava nele ao mesmo tempo, Joseph nunca desistia de ninguém! Para melhor ou pior ele estava ali e era frustrante tentar proteger alguém aqui. Enquanto sentia o afago dele em suas costas e as palavras dele dizendo que a amava tanto quanto ela o amava, Zara se deu conta de que talvez não devesse mais protegê-lo. Talvez aquele fosse o momento de Joseph reconhecer o que estava vivendo e decidir se queria ou não dar um passo adiante, sofrer ou não sofrer, aquela era uma escolha que ela não podia fazer por ele!

— Ei, está melhor? — Joe perguntou partindo o abraço e secando algumas lágrimas silenciosas que insistiam em descer.
— Um pouco, eu só preciso processar nossa conversa.
— Se quiser eu posso ir e voltar depois, o.k?
— Eu desculpo você, mas lavo minhas mãos sobre essa sua questão com Demetria. O.k? Você precisa lidar com isso e lidar com ela; não vou me intrometer ou envolver você numa bolha de proteção. — Joseph assentiu. — Só quero que tenha em mente uma única coisa, talvez você esteja tendo uma segunda chance de dizer o que sente e esteja desperdiçando por medo. Amar é correr riscos e você sabe disso! Se você ama ela de verdade, corra o risco.

— Achei que não fosse se meter. — Joe sorriu fraco.
— Caralho! Você ouviu o que eu disse?
— Sim, me desculpe... eu estou um pouco nervoso.
— Você decide, o.k? É apenas algo que senti que deveria te dizer.
— Obrigado, eu vou pensar nisso.

— Eu quero falar com Demetria, vê-la pessoalmente, mas deixa que cuido disso. Tudo bem? — Joe assentiu novamente. — O.k, eu vou entrar ou Joy vai acabar achando que me esqueci dela. — Eles riram baixinho.
— É melhor mesmo. — Joe sorriu. — Agradeço por ajudá-la.
— Não precisa, eu amo muito essa menina!
— Vamos marcar algo qualquer dia desses, tá bom?
— Pode apostar que sim! Se cuida, hein. — Ela despediu-se dele.
— Você também. — Joe afastou-se e virou-se para trás. — Até mais tarde. — Zara acenou para ele e adentrou no apartamento.


CENTRO DA CIDADE, 14:30

          Demetria chegou na praça no horário marcado e olhou em volta para ver se encontrava Joseph, ela o viu sentado em um dos bancos perdido em pensamentos. O olhar dele estava distante e a expressão em seu rosto denunciava que algo o preocupava, era como se ele estivesse pensando em solucionar algo e não tivesse ideia de como fazer isso! Ela deu a volta, aproximou-se por trás dele e tapou seus olhos com suas mãos. Ele riu baixo, tocou seu braço e disse:

— Sei que é você, Demi.
— Estraga prazeres. — Ela resmungou baixo e tirou as mãos dos olhos dele revelando os olhos cor de mel do amigo. Eles brilhavam de um jeito tão bonito que Demi sentiu-se estranhamente atraída por eles, tanto que alguns instantes se passaram até que Joseph se levanta-se e ela voltasse sua postura normal.

— Por um breve momento achei que não viria.
— Eu te avisaria caso isso acontecesse. — Ela lhe deu um tapinha no ombro e sorriu. — Boa tarde.
— Boa tarde. — Ele retribuiu o sorriso igualmente.
— Então, onde vamos?
— Permita-me te mostrar. — Joseph lhe ofereceu um dos braços e ela enlaçou o seu ao dele antes deles caminharem juntos. Nenhum dos dois disse uma única palavra até chegarem a cafeteria e livraria que ficava em uma das ruas perto da praça, Demi sentiu-se nostálgica ao entrar ali e não conseguiu conter o sorriso ao lembrar-se que o primeiro emprego de Joe havia sido ali.

— Não acredito que esse lugar ainda existe.
— Dizem que certas coisas o vento leva, mas esse lugar é prova de que isso não é verdade. — Ele piscou para ela.
— Ainda vem com frequência aqui?
— Não, estou dando espaço para os mais jovens. — Brincou. — Mas estaria mentindo se dissesse que não continua sendo meu lugar preferido na cidade. — Uma garçonete apareceu entregando-lhes um cardápio repleto de opções e ambos embarcaram no silêncio novamente enquanto escolhiam seus pedidos.

— Eu me lembro de você me trazer aqui para um primeiro encontro. — Demi comentou lembrando-se com carinho de como ele havia sido um verdadeiro "príncipe" naquela noite. Joseph lhe proporcionou tantas risadas naquela noite que foi impossível se lembrar que tudo havia começado com lágrimas! — Você salvou minha noite.
— Uau, você ainda se lembra? — Ele perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— É claro que eu me lembro! O que você fez foi incrível.
— E cá estamos de novo. — Joe sorriu um pouco nostálgico.

— Como você está?
— Estou bem, apenas saindo casualmente e trabalhando. E você? Como estão as coisas com Jesse? — Os pedidos chegarem, ambos agradeceram e Joseph deu um gole no café aguardando a resposta.
— Nós estamos deixando as coisas acontecerem naturalmente, eu ainda não me sinto segura para colocar um rotulo na nossa relação. Algo que gosto muito nele é o fato dele ser um cara compreensivo, ele entende isso e não me cobra nessa questão. Entende?
— Você o ama? — A pergunta pegou Demetria de surpresa e de repente foi como se todas as palavras sumissem do vocabulário! "Você o ama?" Aquilo ecoou dentro dela e lhe causou sérias dúvidas. Ela o amava? O amava de verdade?

— Eu não sei. — Ela respondeu depois de alguns instantes em silêncio e suspirou. — Acho que é muito cedo para saber disso com tanta certeza.
— Eu sinto muito por perguntar, não queria te deixar desconfortável.
— Tudo bem, não é culpa sua. — Demi tocou-lhe uma das mãos e sentiu que ele tremeu de leve, talvez não estivesse esperando o gesto carinhoso. — Eu fui pega de surpresa, sabe? Nunca tinha parado para me perguntar isso antes.
— É diferente com cada um, não precisa ficar cheia de neuras por causa disso. — Ele segurou sua mão que ainda estava sobre a dele e depositou um beijo nas costas da mesma. — Em algum momento tudo se encaminha.
— Obrigada. — Ela sorriu para Joe e suspirou sem ao menos perceber enquanto olhava para ele.

— É melhor comermos antes que esfrie. — Joseph riu baixinho depois que o silêncio pairou sobre eles e ele acabou por soltar a mão dela delicadamente.
— Sim, claro! — Ela sorriu fraco. — E então, conheceu alguém legal em um desses encontros?
— É uma cidade pequena, então não tem como não conhecer alguém. — Joe riu e balançou a cabeça. — Já conhecia a maioria delas de algum lugar, mas mesmo assim dei uma chance. Por um lado foi bom, divertido, mas nada passou disso! Tem vezes que eu me vejo em situações assim e penso que não fui feito para viver a solteirice, sabe? Eu sou homem de uma mulher só.

— Mas você esteve sozinho por tanto tempo, Joseph. — Demi disse pensativa. — Me diz uma coisa, o que mudou agora?
— Demi, eu preciso te contar uma coisa e... — O toque do celular ecoou pelo local e Joe virou-se procurando de onde vinha o maldito barulho que interrompeu sua confissão; mas bastou olhar novamente para Demetria para saber que era o celular dela.

— Me desculpe, eu realmente preciso atender. — Ela levou o celular até o ouvido e a expressão no rosto dela não foi das melhores. Algo de muito ruim estava acontecendo!
— Demetria, o que está acontecendo?
— É o Jesse. — Demi ouvia atentamente e depois apenas dizia "Calma. Fica calmo. Eu estou indo..." Levou alguns instantes até ela desligar o celular e olhar para Joseph com o semblante triste. — A mãe dele não está bem e não consegui entender direito que aconteceu com ela, mas ele precisa de um apoio. Eu sinto muito por ir embora assim, mas nós podemos remarcar. O.k? — Ela disse enquanto guardava o aparelho na bolsa.

— Sem problema, eu entendo. — Foi tudo o que ele conseguiu dizer sentindo as palavras que ele queria gritar presas em sua garganta!
— O que você ia me dizer? Parecia importante.
— Não era nada.
— Joseph. — Ela o encarrou ao se levantar e ele suspirou.
— Talvez outro dia, mas hoje definitivamente não é um bom dia para isso. — A expressão no rosto dele lhe dizia que se tratava de algo sério e importante, mas Jesse precisava dela e talvez fosse melhor conversar sobre aquilo depois. Ela queria dar a devida atenção para Joseph e não era justo lhe arrancar algo e depois sair sem ao menos tentar entender ou conversar sobre.

— Eu não vou me esquecer disso.
— Sei que não, você nunca esquece. — Ele sorriu de um jeito "triste" e ela sentiu o coração apertar no peito. Ultimamente pensar nele lhe causava essas sensações estranhas e ela se perguntava se tinha algo haver com a conexão que eles tinham. — É melhor você ir. — E ela queria, mas os pés simplesmente não se moviam e os olhos não saiam dele!
— O.k, eu vou. — Demi aproximou-se e deu um beijo na bochecha dele. — Agora eu tenho whats app, então podemos conversar ao longo do dia. — Ele assentiu sorrindo.
— Obrigado por me avisar.

— Cuide-se, o.k?
— Você também. — Joe disse como forma de despedida e a observou ir embora, mas antes de passar pela porta Demi olhou para trás uma última vez para olha-lo e ele cabisbaixo acabou não vendo.

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AAAAAAAAAAAAAAAAA GENTE O ÁPICE DESSA HISTÓRIA ESTÁ CHEGANDO E NÃO DOU MAIS DOIS CAPÍTULOS PARA ACONTECER, HEIN!
peço desculpas pela demora, mas quando minha cabeça está cheia ( problemas, rs) não consigo escrever direito e tem dias que não é fácil. estou fazendo um curso, começou faz pouco tempo e estou tentando me organizar. ok? espero que entendam. 
enfim, responderei vocês assim que tiver um tempinho e quando estiver "livre" deixo o link das respostas pra vocês. sinto tanta saudade daqui e de vocês! não deixem de interagir aqui ♡
espero que tenham gostado do capítulo, tá bom? ah e ele continua! os sinais estão apenas começando. 

22/02/2019

You are my destiny: Capítulo 10 - Ties



Talvez esteja procurando por algo que não posso ter.
— Justin Timberlake

          Joseph estava encostado no pia da cozinha de Demi enquanto ela preparava algo para comer, ele tomava água ou pelo menos tentava já que estava ali parado e com o copo cheio em mãos. Ele estava distante, inquieto e confuso pelos sentimentos que afloravam dentro dele! Demetria o observou alguns instantes, ela não se lembrava de tê-lo visto daquele jeito antes, mas havia passado tempo longe demais para conhecer tudo dele outra vez. Quando ele percebeu que estava sendo observado, bebeu a água num único gole e sorriu fraco. 

— Está com o pensamento longe. — Ela disse desligando uma das panelas e indo até o armário pegar o molho de tomate para o macarrão que havia feito. — Você está bem?
— Estou bem, apenas pensando. 
— Ontem não conversamos muito e fiquei me perguntando se estaria tudo bem. Você se divertiu?
— Oh, eu não quis te atrapalhar. — Joe riu baixo. — Foi a primeira vez que sai desde que papai morreu. 
— Eu deveria saber. — Demetria disse com certo pesar. 

— Morei com ele durante toda minha vida e estar sozinho naquela fazenda é estranho. Talvez com o tempo eu me acostume, mas até lá acho que vou sofrer um pouquinho. — "Como se não já estivesse sofrendo." Pensou consigo mesmo e acabou por dar um tapinha na própria cabeça, ele havia escolhido aquilo ou não, afinal não escolhemos por quem nos apaixonamos. 
— Ele não gostaria que ficasse sozinho. — Demi disse concentrada em finalizar sua janta. — Talvez seja bom pra você encontrar algo que goste e fazer, sabe? Se dedicar a alguma paixão! Nunca pensou em fazer algo além de trabalhar na fazenda?
— Eu já fiz muita coisa ao longo desses anos. — Joe deu de ombros. — Já explorei todas as opções e sei exatamente como poucas me trouxeram alguma satisfação, Niall acompanhou essa fase. Ele já mencionou que escrevemos algumas músicas juntos? — Demetria o olhou surpresa. 
— VOCÊ? — Joe riu. — Qual? Aquela que toca no rádio?
— É o hit da cidade, sabia? — Brincou ele. 
— Eu ouvi uma única vez. — Ela disse sorrindo e pensativa ao mesmo tempo. "Qual era mesmo o conteúdo da letra?" — Mas me parece ser muito boa. 
— Foi uma das coisas mais inusitadas que fiz. — As batidas na porta anunciaram que eles tinham companhia. Joseph sabia sobre Camila e imaginou que talvez fosse melhor deixá-las sozinhas. 

— Acho que é ela. — Demi tampou a panela e ficou apreensiva. 
— É melhor eu ir embora. — Joseph endireitou-se e pela primeira vez naquela noite se deu conta de que já vestia pijama!
— Mesmo? Você não pode ficar? 
— Demi, você precisa fazer isso sozinha. — Disse e tocou-lhe o ombro. — Vai ficar tudo bem. O.k? Camila já deu o primeiro passo e você só precisa dar uma chance para ela. — Ela assentiu cabisbaixa e pensativa, Joe lhe deu um beijo no topo da cabeça.

— Eu te acompanho até a porta. — Demi sorriu fraco para ele e Joe assentiu caminhando em silêncio com ela. 
— Pode me ligar depois e dizer como foi a conversa. 
— Farei isso. — Ela tocou a maçaneta. — Obrigada mais uma vez por ter aparecido. 
— Eu não ficaria em paz se não tivesse aparecido. — Demetria esticou-se sobre os pés e deu um beijo demorado na bochecha de Joseph, ele suspirou baixinho. — Se cuida, o.k?
— Você também. — Ela abriu a porta e Camila ficou surpresa ao ver Joseph.

— Ei. — Ela sorriu para ele e eles se cumprimentaram. — Tudo bem?
— Sim e você?
— Eu ficarei bem. — Camila disse e ele assentiu entendendo do que se tratava. 
— Preciso ir. — Eles se despediram e Joe sussurrou em seu ouvido: — Boa sorte. 
— Obrigada. — Ela sorriu novamente para ele e acenou enquanto o observava se afastar.

          Joseph caminhava olhando para os próprios pés sentindo tudo dentro dele revirar, ele sabia que aquilo estava acontecendo novamente e só queria pensar em um jeito de lidar com seus sentimentos de forma que não se machucasse tanto! Suspirou enquanto remexia as chaves do carro na mão e tomou um baita susto com Mike encostado na caminhonete.

— Eu sabia que você viria. — Joe o encarrou em silêncio. — O grupo virou uma verdadeira bagunça de gente desesperada! Podia ao menos ter mandado um "Ela está bem" né? — Ele não respondeu o amigo, apenas caminhou na direção dele e o abraçou. Mike ficou surpreso e retribuiu o abraço, algo lhe dizia que Joseph precisava muito mais do que ele.
— Você tinha razão sobre Demi, eu ainda sou apaixonado por ela. — Mike partiu o abraço após alguns instantes e olhou para Joe surpreso mais uma vez, ele estava confessando algo que custara admitir mais cedo! Aquele dia estava sendo agitado até demais para todos eles. 
— O que você vai fazer?
— Nada e antes que me diga alguma coisa, eu tenho motivos. Ela realmente gosta do Jesse! Uma das primeiras coisas que ela me perguntou foi se ele entenderia toda essa história do cara que enganou ela e eu não quero estragar isso. Eu vou ficar bem, o.k? Não é como se eu tivesse dezesseis anos outra vez e fosse ficar arrasado, acho que já passei dessa fase. — Joe deu de ombros.

— Se por acaso o Jesse não querer ficar com ela, você vai contar?
— Talvez, mas acho bem difícil que isso aconteça. — Joe apertou o controle para destravar o carro. 
— Você acha?
— Sim, eu no lugar dele não me importaria. Muito pelo contrário, faria o que estivesse ao meu alcance para ficar com ela e protege-la!

— Você merece alguém, Joseph. — Mike disse tentando ao máximo manter a tristeza longe da voz. Ele amava Joe como um irmão e entristecia profundamente seu coração vê-lo sofrendo daquele jeito! 
— Talvez esse alguém não seja ela e eu só preciso de tempo para me conformar. O.k? — A resposta veio na ponta da língua, mas Mike não queria brigar com ele e guardou para si mesmo as palavras. "De mais quantos anos você precisa?" — É melhor você ir, Camila deve estar esperando por você.
— Tudo bem. — Ele respondeu e olhou uma última vez para Joseph. — Se cuida, o.k? Ah e antes que eu me esqueça, estão esperando que você responda no grupo. 
— Você também! Eu irei respondê-los. — Joe assentiu e entrou no carro retirando o celular do bolso para ler as mensagens.

 

          Já estava escuro quando Joseph arrancou com o carro, ele piscou os olhos algumas vezes e sentiu o cansaço pesar sobre seu corpo. Sophie havia mandado mensagem e ele não conseguia imaginar o motivo, mas alguma coisa devia ter acontecido! "O que mais?" Pensou consigo mesmo e se concentrou na estrada para chegar em segurança na casa da ex-mulher. Ela morava consideravelmente mais longe e por isso Joe estacionou o carro na rua cerca de vinte minutos depois de sair da antiga casa do pai. Ele desceu do carro e sentiu o vento frio bater com força contra seu corpo, o tecido fino do pijama não foi capaz de protegê-lo do frio! Rapidamente ele caminhou até a porta e deu algumas batidas.

— Ei, olha só quem está aqui! — Melanie atendeu a porta e sorriu largamente para Joseph. 
— Pequena Mel. — Joe sorriu e cumprimentou a garota com um abraço breve. 
— Não tão pequena assim, tio. — Ela fez uma careta. — Entra, Joy está na sala. O senhor veio participar da nossa noite de filmes de terror? — Perguntou cedendo espaço para que ele adentrasse na casa. 
— Obrigado, querida. — Joe respondeu sentindo o corpo tremer. — Na verdade eu vim falar com Sophie. Onde ela está?
— Na cozinha, Tia Sophie está fazendo pipoca. — A menina disse de forma animada enquanto eles caminhavam até a sala e Joe sorriu para ela.

— Pai! — Joy levantou-se do chão onde estava deitada e sorriu abrindo os braços para abraça-lo. 
— Oi anjo, tudo bem? — Perguntou ao abraça-la. 
— Sim e o senhor? — Ela perguntou após partir o abraço e dar uma boa olhada nele. Joy estava adorável em seu pijama de unicórnio! 
— Estou bem. — Ele respondeu sentindo-se um pouco encurralado tendo os grandes olhos da garota o analisando!

— Você chegou. — Sophie disse ao vê-lo e sorriu fraco.

— A senhora o convidou? — A loira o analisou por alguns instantes. 
— Nós temos algumas coisas para conversar, mas ele pode ficar depois disso. — Ela disse entregando a tigela de pipoca para Melanie e se aproximando de Joseph. 
— Tudo bem, vamos começar enquanto isso. O.k?
— Não vamos demorar. — Sophie piscou para a filha e segurou uma das mãos de Joseph o puxando em direção ao corredor que dava acesso aos quartos, ela o levou até o quarto dela e fechou a porta atrás deles.

— Sophie, eu não... — Ele parou de falar quando ela o abraçou sem dizer uma única palavra e ele retribuiu tentando entender o motivo dela estar fazendo aquilo. 
— Você está bem? — Sophie perguntou ao partir o abraço e segurar seu rosto entre suas mãos. 
— Não entendo o motivo de estarem me perguntando isso hoje. — Joe riu baixinho, mas no fundo ele entendia sim!
— Eu sei o que aconteceu com Demetria e sei também o motivo de ir até lá, o.k? Joseph, eu não sou burra e vi o jeito que olhou para ela ontem. — Havia preocupação na voz dela e uma pontinha de magoa, ele suspirou segurando-lhe as mãos. 
— Não precisa se preocupar comigo. 
— Isso é o tipo de coisa que alguém diz quando a outra tem motivos sim para se preocupar. — Joseph permaneceu em silêncio por alguns instantes e soltou as mãos dela sentindo uma enorme frustração por não conseguir manter nada escondido! Ele não se importava pelos amigos saberem disso, não mesmo, mas o fato de enxergarem que aquele amor ainda era real dentro dele... ah, isso era completamente diferente e muito frustrante.

— É tão óbvio assim ou eu pareço algum louco obsessivo? — Ele perguntou arqueando uma das sobrancelhas. 
— Você tem um jeito bonito de demonstrar que se importa e pelo menos pra mim ficou bastante claro desde ontem, eu só estava esperando uma oportunidade para conversarmos. 
— Eu não queria que fosse assim e Deus sabe que sim, Sophie. 
— Joseph, não é assim tão simples quando falamos de "amor verdadeiro". 
— Eu amei você e foi amor verdadeiro. — Os dois permaneceram em silêncio, Sophie pareceu levemente surpresa pela confissão dele. Não que Joseph não fosse de demonstrar seus sentimentos na época que eles estavam juntos, muito pelo contrário, ele fora mais romântico dos dois! Mas depois de todo aquele tempo e até mesmo da separação, ela se surpreendia por saber que ele pensava nela desse jeito. "Amor verdadeiro". — Á última coisa que eu precisava agora era estar apaixonado pela minha irmã!
— Ela não é sua irmã.

— Eu sei que não, mas para ela eu sou o irmãozinho e não queria que isso fosse um problema. — Joe fechou os olhos por alguns instantes e suspirou. — Ela gosta de outra pessoa e eu preciso fazer meu coração aceitar isso de uma vez ou nossa relação vai ser complicada. 
— Você precisa se dar uma oportunidade de conhecer outra pessoa. — Sophie disse sentando-se ao lado dele. — Talvez o fato dela estar apaixonada por outro te ajude de alguma forma. 
— Como? — Ele olhou para ela. Os olhos claros pelos quais um dia ele foi louco brilhavam! Sophie era uma mulher incrivelmente sábia e inteligente, ele não duvidava que o concelho dela pudesse realmente ajuda-lo. 
— Você nunca soube se ela estava ou não com alguém e talvez isso tenha dado alguma esperança ao seu coração bobo, sem ofensa. — Ele riu pela primeira vez de toda aquela situação e Sophie sorriu percebendo que aos poucos a tensão se esvaia dele. — Agora que ela tem uma pessoa na vida dela, o bobo não tem muita opção que não seja aceitar isso e você precisa mostrar que quer seguir em frente. Precisa se ajudar! — Ela deu um tapinha no joelho dele. — Se contar o que você sente não é uma opção, acredito que essa é a única escolha que você tem.

— Obrigado pelas palavras, Sophie. — Joe segurou uma das mãos dela e apertou. — Foram de grande ajuda. 
— Eu espero que você coloque em prática ou serei obrigada a te dar uns tapas, Joseph. — Ela beijou-lhe a bochecha e riu. 
— Confesso que não faço ideia de por onde começar, mas vou dar um jeito. 
— Já ouviu falar em Tinder? — A loira arqueou uma das sobrancelhas. — Eu tenho um encontro semana que vem. — Sophie lhe deu uma piscadinha e levantou-se sorrindo boba.

— Você? Tinder? Já ouviu falar que esses aplicativos não são seguros? 
— Céus, eu não vou sair com nenhum criminoso ou coisa do tipo. — Riu. — É esse o seu problema, você pensa demais. — Sophie revirou os olhos. 
— Ah, agora eu sou o problema?

— MÃE! PAI! VOCÊS VÃO OU NÃO ASSISTIR? — Joy perguntou alto. 
— JÁ VAMOS, QUERIDA! — Sophie respondeu igualmente no mesmo tom. — É melhor nós descermos. Você vai ficar?
— Isso depende. — Joe levantou-se da cama e fez uma careta. — Tem comida? Eu estou morrendo de fome. — Riu um pouco envergonhado, ele não queria abusar da boa vontade da ex. 
— Tenho sim. — Ela sorriu e estendeu-lhe uma das mãos. — Venha, eu vou te fazer um prato. — Joseph sorriu segurando na mão dela e os dois caminharam para fora do quarto. 

CASA DA DEMI, 20:30

          Conversar com Mike e Camila estava sendo melhor do que Demetria pensou que seria, ela sentia o coração leve no peito. Mila falou por incontáveis minutos sem pausa e ouvi-la falar tão abertamente e de forma tão emotiva fez Demi se lembrar de parte da adolescência ao lado da amiga. Mike foi objetivo, ele deixou claro que ficou em uma situação difícil tendo Camila de um lado para apoiar e Joseph do outro. Ela entendeu a razão de cada um deles para não ter se aproximado antes e estava tudo bem, cada um tinha um tempo e aquele havia sido o deles.

— Eu confesso que fiquei surpresa ao saber que vocês se casaram. — Demi comentou sorrindo para Camila, elas estavam na sala conversando e bebendo vinho enquanto Mike lavava a louça do jantar na cozinha. — Como isso aconteceu? Se eu me lembro bem vocês eram como rato e gato, viviam brigando! — Elas riram. 
— Depois do que aconteceu com você, todos nós mudamos de alguma forma e foi assim conosco. Mike chegava e nós já não nos provocávamos ou nos xingávamos como antes, apenas ficávamos ali e conversávamos de vez em quando. Foi assim que fomos nos conhecendo e descobrindo coisas um sobre o outro que nem fazíamos ideia que tínhamos em comum! Tudo foi acontecendo naturalmente e quando percebi, estava apaixonada pelo meu melhor amigo. — Mila sorriu ao relembrar algumas coisas.
— É uma história linda! Fico feliz por vocês. — Ambas ergueram suas taças e brindaram sorrindo. — Se casar com o melhor amigo, isso me parece aquelas cenas de filme. Eu sinto a cada dia que passa que estou vivendo um drama hollywoodiano! — Demi riu.

— Parece loucura se casar com o melhor amigo?
— Talvez, veja bem... eu nunca me imaginei casando com Joseph! — Ela riu e Camila olhou para ela com uma das sobrancelhas arqueadas. 
— Eu também nunca me imaginei casando com Mike, mas tudo isso depende da forma como você vê o outro. Uma mulher sempre sabe quando deixa de ser "amiga" de um homem, assim como o homem sabe o momento que ele deixa de ser "amigo" da mulher e com isso falo dos sentimentos. A mudança é algo que você sente na pessoa, sabe? Eu percebi quando estava apaixonada pelo Mike e foi um choque no momento, mas depois me permiti sentir e aceitar aquilo como se fosse qualquer outra pessoa pela qual eu estivesse apaixonada. As vezes nós criamos muros e impedimos algo maravilhoso de acontecer na nossa vida! — Demi deu um gole na taça de vinho e ficou pensativa por alguns instantes. — Se um dia o amor bater na sua porta, não importa se é seu melhor amigo ou não, você deve aproveitar a chance. Algumas oportunidades na vida são únicas! Eu sou grata por não ter desperdiçado a minha. 
— Eu vou me lembrar disso. — Demi sorriu fraco e piscou para ela. — Espero que o dia de hoje não me tenha feito perder a chance que tinha ou achava que tinha com o Jesse, não sei dizer ao certo. 
— Ah, não se preocupe... se for para ser, será. O.k? Eu acredito muito em destino, caminhos cruzados e essas coisas! — Ela riu e fez Demetria rir também. — Nada acontece sem um proposito. 
— Assim espero. — Demi deu o último gole em seu vinho e fechou os olhos por alguns instantes desejando profundamente de Camila estivesse certa sobre Jesse.

****

          O casal de amigos foi embora pouco antes das nove horas da noite e logo depois Demetria subiu para o quarto, ela estava exausta após aquele dia. O dia mais louco de todos desde que havia chegado na cidade! Ela foi até o banheiro, escovou os dentes e se jogou na cama pensativa. Lembrou-se de repente de Joseph e de que havia prometido ligar para falar sobre a conversa com Mike e Camila. Ela esticou a mão pegando o telefone que levara consigo do andar debaixo e discou o número conhecido do celular dele. Chamou, chamou e chamou até cair na caixa postal. Demi franziu o cenho e pensou "Será que ele já está dormindo?" Ela discou o número uma última vez e aguardou.

— Alô. — A voz feminina do outro lado da linha a surpreendeu. 
— Hummm.... posso falar com o Joe? É a Demetria. 
— Demetria é a Sophie que está falando, tudo bem?
— Estou bem e você? — Demi perguntou sem saber o que dizer já que elas não se conheciam bem o suficiente para manter uma conversa. — Joseph, está?
— Sim, mas receio que ele não possa falar com você já que está dormindo.

— Sinto muito em incomodar. 
— Sem problema. — Ela riu baixinho. — Quer deixar recado?
— Não, eu ligo amanhã. — Respondeu. 
— O.k, eu digo que você ligou. 
— Obrigada. 
— Disponha.

— Boa noite. 
— Boa noite. — Demi desligou.

          Com o telefone ainda em mãos Demetria ficou pensativa com a ligação e fato de Sophie ter atendido. Não era nada demais, certo? Eles foram casados e não seria estranho que algo estivesse rolando entre eles. "Mas Joe me disse que... será mesmo?" Os pensamentos iam e vinham deixando-a um pouco confusa sobre o que estava acontecendo com ele. Era estranho não conhecê-lo tão bem quanto antes! "As pessoas mudam, Demi." Disse para si mesma, mas a resposta veio rápido. "Não ele, não o meu Joseph." Meu? Ela riu consigo mesma, eles eram amigos, melhores amigos e nada além disso. Era normal ela estar preocupada com ele, Joseph havia perdido o pai e estava sozinho, não seria tão ruim ele e Sophie voltarem ou seria? Ela colocou o telefone no criado mudo e respirou fundo antes de fechar os olhos para dormir, talvez estivesse pensando besteiras e além do mais não era da conta dela com quem ele se relacionava ou não. Demi revirou-se na cama e bufou afundando o rosto no travesseiro sentindo o coração bater inquieto no peito.

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oi meninas, tudo bem?
quando penso que não vou ter trabalho para escrever, os problemas aparecem e acabo demorando. a única coisa boa nisso tudo é que vou escrevendo com calma e aos poucos, então acaba ficando 10 vezes melhor! 
enfim, o que acharam? espero que tenham gostado. ao longo dos próximos capítulos vamos avançar algum tempinho e teremos uma nova realidade na vida de cada um. aguardem que em breve o parquinho vai pegar fogo! as revelações estão chegando, sejam pacientes. 
amo vocês ♡

06/02/2019

You are my destiny: Capítulo 9 - My heart is yours



Se você sangrar, eu sangro da mesma forma. Se você está com medo, eu estou a caminho. Você fugiu?
— SYML

          Demetria não lembrava-se da última vez que havia sido beijada ou até mesmo acariciada com tanto afeto e por isso mesmo não havia pensado em qual seria sua reação caso isso acontecesse. Havia acontecido, estava acontecendo e por mais que tudo dentro dela estivesse confuso, ela estava gostando! Os lábios dele encaixavam-se perfeitamente aos dela e quando ele apertava seu bumbum com força, ela sentia o corpo estremecer.

— Eu acho que... devemos... ir com calma. — Disse tentando recuperar o fôlego e o juízo, eles estavam sozinhos ao lado de fora. Jesse parecia ser um cara legal, bom de papo e era simplesmente encantador! Mesmo assim ela sabia que devia ser cautelosa, ainda mais depois de tudo que havia acontecido em Nova York.
— Por mim tudo bem, Demi. — Ele ofegou e sorriu. — Gostei muito de você e quero conhecê-la melhor.
— Isso é um convite para sair? — Arqueou uma das sobrancelhas.
— Sim é claro, isso se você quiser sair comigo.
— Eu quero, mas preciso de mais um tempinho. — Ele encostou-se na parede ao lado dela e Demi cruzou os braços. — Ainda não me resolvi com todos os meus amigos e é minha prioridade no momento.
— Tudo bem, eu espero.
— Isso não será um problema pra você?
— De jeito nenhum! — Jesse ajeitou algumas mechas de cabelo dela que bagunçaram por causa do vento e Demi sorriu fraco com o gesto. — Você me fascinou desde o dia que nos conhecemos e se esperei tanto tempo para conhecer uma mulher tão maravilhosa, posso esperar mais um pouco para sair com ela.

— Se continuar falando desse jeito, vai dificultar bastante as coisas pra mim. — Demi riu e tremeu levemente por causa do vento. — Nossa que frio!
— Aqui, aceite minha jaqueta — Ele retirou a jaqueta de couro e colocou em Demi, ela riu por ser pequena e estar vestindo algo tão grande.
— Obrigada. — Sorriu e ele retribuiu igualmente.
— Aceita uma bebida para espantar o frio?
— Sim, eu aceito.
— Vou pegar e já volto. — Ele lhe deu um selinho demorado e afastou-se caminhando rapidamente para dentro do pub.

          Demi permaneceu ali encostada na parede, ela estava perdida nos próprios pensamentos e repassava o que havia falado com ele. Ela realmente queria focar nos amigos, mas por algum motivo aquilo soou como uma desculpa para si mesma... como se estivesse colocando aquilo na frente para adiar a possibilidade de conhecer uma nova pessoa. "Eu sou terrível!" Levou uma das mãos até a cabeça e suspirou com o pensamento. Quando despertou viu Joseph saindo, ele estava sozinho e balançava as chaves do carro enquanto caminhava.

— Ei! — Chamou e ele virou-se para trás. — Já vai embora? — Joseph olhou de um lado para o outro, ela estava sozinha e mesmo que fosse uma cidade pequena, nenhuma mulher deveria ficar sozinha em um lugar de pouco movimento. Podia ser perigoso!
— É, eu atingi meu limite. — Ele aproximou-se e parou ficando de frente com ela. — Parece que alguém está se dando bem. — Joe arqueou uma das sobrancelhas e Demi pode perceber que ele parecia cansado, os olhos dele chegavam a estar pequenos.
— Eu não pensei que fosse gostar de alguém tão cedo e isso é um pouco confuso. O que você acha que eu devo fazer?
— Não tem nada de errado em seguir em frente, Demi. Você não pode se fechar as oportunidades de conhecer alguém por causa daquele vigarista! — Ela riu baixo. — Apenas vá com calma e tenho certeza de que dará tudo certo.
— Obrigada, Joe. — Demi o abraçou e ele apoiou o queixo na cabeça dela por alguns instantes enquanto sentia o corpo dela lhe aquecer brevemente. Era uma sensação boa e por mais que quisesse prolongar aquilo, sabia que deveria ir embora ou acabaria não conseguindo.
— Disponha. — Ele partiu o abraço.

— Desculpe a demora. — Jesse reapareceu com as bebidas e Joe deu um passo para trás afastando-se de Demi. — Está uma loucura lá dentro!
— Estava fazendo companhia para ela até você voltar. — Joe disse breve.
— Valeu, Joseph. — Jesse sorriu e recebeu um aceno de cabeça como resposta.
— Já vou indo. Nos vemos em breve, certo? — Joe disse olhando para Demi.
— Sim, não tenha dúvida. — Demetria sorriu e ele acenou antes de partir. "Ele não deveria estar sozinho." Pensou consigo mesma e por um breve momento sentiu o coração apertar. Alguém tão bom quanto ele merecia ter a pessoa amada, certo?

          Depois de beberem lá fora, conversarem e se beijarem por incontáveis minutos, Demetria e Jesse voltaram para dentro de mãos dadas. Eles se divertiram por mais algumas horas até Ariana ir embora e Kehlani se dar conta de que estava quase na hora de fechar as portas! Jesse fez questão de levar Demi para casa e pela primeira vez em muito tempo, ela teve o prazer de andar de moto. O percurso foi rápido e logo o rapaz estava parando o veículo na porta de sua casa, Demetria desceu ainda extasiada com os acontecimentos da noite. Aquele havia sido um dos melhores dias dela na cidade! Jesse desceu da moto e caminhou com ela até a porta.

— Está entregue. — Ele virou-se para ela e sorriu.
— Obrigada pela carona. — Demi o agradeceu sorrindo.
— Eu me diverti bastante.
— Eu também! Agradeço por ter ido, acho que não teria sido a mesma coisa sem você. — Confessou tendo os olhos verdes dele pairando sobre si. Jesse segurou seu queixo com delicadeza, Demi olhou para ele e fechou os olhos quando os lábios dele encontraram os seus. Foi um beijo de despedida e prolongou-se com mais alguns selinhos, ele definitivamente não queria ir embora!

— Nos vemos em breve? — Ele afastou-se, mas ainda segurava uma de suas mãos.
— Sim, eu prometo te ligar. — Jesse depositou um beijo rápido na mão dela e se viu obrigado a soltar.
— Estarei esperando. — Piscou e afastou-se caminhando até sua moto. Demi permaneceu ali tendo uma das mãos na maçaneta da porta e a outra no peito sentindo o coração bater acelerado ao vê-lo ir embora.


DIA SEGUINTE
FAZENDA THOMPSON, 10:35

          A cabeça doía ao ponto de Joe não conseguir levanta-la do travesseiro, ele não conseguia abrir os olhos e nem mesmo pronunciar palavras. Estava completamente desolado! As lágrimas que havia chorado no dia anterior pareciam não ter sido suficientes e ele apenas se encolheu na cama quando ouviu passos. Sabia que era Paul e não tinha forças para encarrar o pai, não depois de tudo que havia acontecido com Demi! "Ela foi embora por minha causa. Eu falhei com ela e ela foi embora." O pensamento martelava em sua cabeça e nem mesmo os remédios haviam conseguido lhe trazer alguma paz. "Ele precisa de outro tipo de médico, xerife. " Lembrou-se das palavras de um dos médicos. "Seu garoto tem um sério problema de abandono. " O homem não havia mentido e foi naquele momento que Joe se deu conta de que todos que amava em algum momento o deixavam. Sua mãe fez isso antes mesmo que ele pudesse conhecê-la e aquela havia sido sua primeira grande perda! Era o tipo de dor que podia ser comparada com o espetar do dedo na agulha, eram pequenas picadas todo dia e ele já havia se acostumado. Perder Demetria era algo completamente diferente! Ela havia possuía seu coração mesmo não sabendo disso e significava o mundo para ele, era para ela que Joseph corria quando o mundo lá fora já não fazia mais sentido. O que ele ia fazer?

— Filho, está acordado? — Joe encolheu-se mais um pouco e fungou baixinho. — Fale comigo.
— Não tenho nada para falar. — Sentiu uma das mãos em seu ombro e se viu obrigado a pelo menos olhar para Paul. Seu pai estava sentado na cama, ele parecia cansado e o pouco cabelo que tinha estava desgrenhado; como se ele tivesse passado a mão por ali repetidas vezes! Joe sabia que ele havia feito isso, provavelmente pensando no que iria dizer para ele.
— Joseph, você não teve culpa.
— Como pode dizer isso? — Perguntou nervoso e levantou-se da cama afastando-se do toque do pai. — Eu era responsável por ela e deveria saber que algo estava acontecendo!

— Ninguém sabia, filho.
— MAIS EU DEVERIA SABER! ELA FOI EMBORA POR MINHA CAUSA!
— Joseph, acalme-se e pensa comigo. — Paul aproximou-se dele devagar. — Ninguém é capaz de saber nas entrelinhas o que se passa com outra pessoa, o.k? Eu sei que está magoado e sei também que amava Demetria, ouvi você dizer isso. — Joe baixou sua cabeça e naquele momento sentiu vergonha.

— Eu deveria ter dito antes que amava ela, pai.
— Ela sabia disso.
— Não desse jeito, pai. Eu amava Demi como um homem ama uma mulher de verdade!
— Eu sei disso, filho. Vi o jeito como gritou para ela! — Joe sentiu-se tão vulnerável naquele momento que abraçou o pai em busca de apoio. — Não deve sentir vergonha por isso.
— Eu sei, mas não consigo não sentir. — Confessou em voz baixa.

— Tudo bem, filho. — Paul afagou-lhe as costas. — Vai ficar tudo bem.
— Não, não vai ficar tudo bem. — Ele disse entre lágrimas. — Eu nunca vou amar alguém como amei Demetria. — Joseph fechou os olhos e desejou por alguns instantes que ela nunca tivesse entrado em sua vida!


          Joseph despertou do pesadelo e sentou-se na cama, aquele era o primeiro pesadelo que tinha com ela em muito tempo. Sentia o coração acelerado no peito, o suor escorria pela testa e ele levou uma das mãos na cabeça por alguns instantes. Precisava despertar e deixar aquilo para trás! Pensar em como ele superou aquilo anos atrás era motivo de orgulho, mas não havia sido fácil. Enquanto levantava-se da cama e procurava os chinelos, Joe lembrou-se brevemente da figura de seu psicólogo. O Sr. Charles Wilson tinha idade para ser seu avô e na época, fez com que ele se abrisse de um jeito que não havia conseguido com mais ninguém. O jeito dele de ouvir e falar tão tranquilamente sempre proporcionou grande paz para Joseph, ele morreu pouco tempo depois de seu tratamento terminar e foi como perder alguém da família. Ele sabia disso, pois agora seu coração doía igualmente pelo pai. Joe fez diários enquanto esteve em tratamento, lembrava-se de ter inúmeros cadernos ao longo dos anos espalhados por ai. Todo amor que sentia, toda dor que carregava e toda angústia acumulada foram para as páginas de papel; todos foram queimados e naquele dia Joseph sentiu-se livre pela primeira vez em muito tempo. Mas isso obviamente havia mudado e tinha haver com Demi, claro que só podia ser ela! Joe suspirou arrastando-se até o banheiro e acabou por tomar um banho. A água estava estranhamente fria, mas talvez fosse melhor assim, ele sentia que pela primeira vez aquele ano estava sofrendo com os efeitos da famosa ressaca! "Deus, eu não quero passar por isso de novo." Pensou em algum momento.

— Joseph? Joseph, está em casa? — Mike chamou por ele e Joe fechou o registro do chuveiro encerrando o banho.
— QUARTO! — Joe gritou arrependendo-se logo depois que sentiu uma pontada de dor na cabeça. Ele agarrou o roupão, vestiu-se e saiu do banheiro caminhando com uma das mãos na cabeça.

— Bom dia. — Mike disse e encostou-se na porta observando o amigo.
— Oi, Mike. — Joseph sentou-se na cama e suspirou. — Pode pegar um remédio para dor de cabeça pra mim? Está ali na cômoda. — Apontou sem olhar o amigo nos olhos.
— Parece que teve uma noite e tanto! Ainda bem que cheguei mais tarde, não queria interromper sua diversão. — Ele riu e ouviu Joe resmungar.
— Não teve ninguém aqui.
— Bem, não custa tentar. — Mike lhe entregou os comprimidos e uma garrafinha d' água. — O que aconteceu?
— Eu bebi além da conta e não deveria ter feito isso.

— Tudo bem, Joseph. — Joe sentiu o aperto em seu ombro e olhou para o amigo, não foi preciso que ele falasse nada para que Mike reconhecesse aquele olhar. — Pesadelo?
— Pesadelo. — O rapaz sentou-se ao seu lado e aquele foi o empurrãozinho que ele precisava para começar a falar. — Foi algo real, aconteceu e voltou para me atormentar. Demetria partiu, eu fiquei inconsolável e meu pai conversou comigo. Eu não me lembrava disso, não de forma tão viva! Quando acordei, eu juro que senti a mesma dor daquele dia e uma dose extra já que nem meu pai tenho mais aqui para conversar comigo.
— Seu pai pode não estar aqui, mas eu estou. O.k?
— Eu sei disso e agradeço por ter aparecido. — Joe sorriu fraco.

— Vim para buscar aqueles pés de alface que você ficou de me levar ontem, mas isso não vem ao caso. — Mike riu baixo.
— Eu sabia que estava esquecendo algo! Mas também, Demi apareceu para almoçar e Joy estava aqui, depois Sophie veio busca-la. — Ele repassou o dia e suspirou lembrando-se do pub. — Kehlani me chamou para beber em nome dos velhos tempos.
— Isso parece bom. Você se divertiu?
— Foi a primeira vez que sai desde que meu pai morreu e foi estranho.
— Mas? Eu sei que tem um "mas" ai, Joe.

— Mike, eu acho que estou enlouquecendo. — Confessou abaixando a cabeça e fechando os olhos. — Eu vi Demetria com o Jesse ontem, eles estão ficando e isso está me... não sei que palavra usar! Só sei que não estou sabendo lidar e não, não estou apaixonado por ela.
— Fica difícil de te ajudar se você quer negar o óbvio.
— Não, não é o óbvio! Eu sou um amigo que se preocupa e só não quero vê-la magoada.
— Joseph, eu já vi esse "filme" antes e sei exatamente como termina. Ela sempre ficou com caras, não estou dizendo que é o caso do Jesse, pessoas que nunca ligaram de fato para ela e você dava o maior apoio mesmo tendo o coração partido! O que eu acho é que você gosta dela e isso nunca mudou, mas você não quer admitir e vai continuar sofrendo até parar de negar isso. Você deveria aproveitar que ela não firmou laços com esse cara e dizer de uma vez o que ficou entalado por anos ai dentro!
— Isso não é amor. Isso não é amor! — Joe repetiu para si mesmo como um mantra e Mike suspirou. — É apenas preocupação.
— Afinal, qual é o seu medo? O que te deixa tão assustado assim em contar algo para ela?

— EU NÃO POSSO PERDER MAIS NINGUÉM! — Joseph disse alto e levantou-se da cama. Ele caminhou até o guarda-roupa e pegou algo qualquer para vestir, desde que fosse xadrez e jeans ele não se importava com o resto.
— Ela nunca se afastaria de você. — Mike levantou-se da cama.
— Já fez isso uma vez e pode fazer de novo, mas dessa vez com poder de escolha. — Joe virou-se para olha-lo e Mike sustentou o olhar do amigo por alguns instantes.
— Faça o que achar melhor, mas não ignore os seus sentimentos.
— Eu não irei ignorar, Mike.
— Vista-se, vou esperar por você na sala.


CASA DA DEMI, 13:00

          Demetria acordou graças ao som da campainha que insistia em ser tocada por alguém e isso a fez levantar com pressa da cama. Ela cambaleou para fora do quarto, parou por alguns instantes no corredor e piscou os olhos vendo tudo entrar em foco conforme caminhava em direção as escadas. Demi desceu os degraus devagar, ainda estava processando muita coisa em sua cabeça e quando abriu a porta sorriu fraco ao ver Kehlani ali parada segurando algumas sacolas.

— Alguém pediu café da manhã? — A morena sorriu, depositou um beijo na bochecha de Demi e adentrou balançando as sacolas.
— Eu acabei de acordar. — Demetria disse entre um bocejo e outro fechando a porta.
— Me desculpe por isso, eu não imaginei que fosse dormir tanto. — A voz de Kehlani ecoou pela sala vindo direto da cozinha e Demi caminhou até lá.

— Que horas são? — Perguntou esfregando um dos olhos.
— Treze horas, querida. — O sobressalto dela fez a outra rir.
— Eu não acredito que dormi tanto!
— Está tudo bem, o.k? Vai lá lavar o rosto que eu vou esquentar algumas coisinhas que trouxe pra você.
— Obrigada, Kehlani.
— Só me agradeça depois que comer! Anda, vai logo. — Demi riu do falso tom autoritário e caminhou de volta para cima.

          Demetria gastou cerca de dez minutos para lavar o rosto e fazer sua higiene matinal, estava sentindo o corpo reclamar de dor pela agitação da noite passada! Sua cabeça até que não estava doendo, ela não havia bebido mais que três doses de bebida. Enquanto prendia os cabelos ruivos num coque, Demi caminhou de volta para o andar debaixo e sentiu o estômago roncar imediatamente ao sentir o cheiro do pão! Ela caminhou apressadamente e encontrou Kehlani já sentada, ela sorriu ao ver sua amiga mais desperta.

— Eu trouxe desses pãezinhos recheados, alguns doces e também tem café.
— O que eu faria sem você?
— Provavelmente passaria fome! — Elas riram juntas.

— Então, você se divertiu ontem? — Kehlani perguntou após Demi servir-se e recebeu um olhar enigmático como resposta.
— Sim, eu me diverti muito. — A morena sorriu maliciosamente quando as palavras finalmente foram ditas pela amiga.
— Eu sabia! Sabia que ia rolar algo entre vocês! Eu senti isso no ar logo que vocês se conheceram. — Kehlani disparou a falar e Demi deu um longo gole no café sentindo seu estômago se aquietar de forma agradecida.
— Achei que estava ficando louca quando percebi que estava flertando com ele. — Ela encarrou o copo de café por alguns instantes e suspirou. — Eu não achei que fosse fazer isso por um longo tempo e foi confuso, mas acho que não posso me privar de um recomeço.
— Você acha? Meu amor, eu tenho certeza! — Demi riu. — Eu não estou dizendo isso por ele ser meu amigo, mas o Jesse é um cara muito legal e sei que ele vai te fazer muito feliz.

— Eu pedi um tempo apenas para ajeitar as coisas com o pessoal e depois vamos sair, confesso que pensar em estar em um encontro com alguém de novo me deixa bastante ansiosa! Olha só pra mim, estou falando como uma adolescente. — Ela pegou um pão e mordeu sentindo o delicioso sabor do queijo em sua boca.
— Fica tranquila, eu tenho certeza de que vai dar tudo certo entre vocês.
— Joseph me disse algo semelhante. — Demi percebeu a expressão da amiga mudar ao citar Joe, ela ficou pensativa por alguns instantes e depois olhou para ela. — O que foi?
— Nada, eu só acho incrível que concordemos em algo. Sinto que todos temos uma conexão bem forte! Você sente isso?
— Sim e sou grata por ter os melhores amigos que alguém poderia ter. — Ambas sorriram.

— Voltando ao Jesse, me fala... ele tem pegada?
— Kehlani! — Demi sentiu as bochechas queimarem pela pergunta e riu.
— O que foi? Eu sou descarada assim mesmo e não vou sair daqui até ter todos os detalhes. — Kehlani disse e cruzou os braços esperando que Demi falasse.
— Tudo bem. — Ela disse enquanto mastigava um pedaço do segundo pão. — Ele tomou a iniciativa do beijo e fiquei surpresa no primeiro momento, mas acabei me permitindo curtir aquele momento. Sim, ele tem pegada! — Riu. — Quando ele apertou minha bunda, senti que deveria me agarrar ao último resquício de juízo que possuía para não deixar as coisas esquentarem ainda mais.

— Hmmmm... eu posso ver as chamas nos seus olhos! — Kehlani brincou.
— Para com isso! — Demi riu. — É bom sentir que alguém gosta de nós, não é mesmo?
— Uns são mais discretos que outros. — Kehlani deu de ombros e pegou um pãozinho doce.
— O que isso significa?
— Que algumas pessoas quando gostam de alguém demonstram mais que outras e acho que isso faz bastante diferença no final das contas. Você não acha?
— Mais que atitudes, palavras também importam. — Demi disse pensativa. — Eu sou muito lerda nessa questão, preciso que a pessoa me diga ou nunca vou saber o que ela realmente sente por mim.
— Eu não te julgo, pois somos duas! — Kehlani riu.

— Faz quanto tempo que você e Hayley estão juntas?
— Entre idas e vindas, uns nove anos. — A morena disse pensativa.
— Idas e vindas?
— Não se deixe enganar, nenhum relacionamento é perfeito. Nós passamos por uma fase em que estávamos fazendo coisas diferentes das nossas vidas e tivemos alguns atritos por isso, ela ficou insegurança e eu com ciúmes dela tendo tantas garotas novas ao redor. Foi a pior época da minha vida! Quando amamos alguém e não abrimos mão do orgulho, nada funciona direito. Eu não queria admitir que amava ela demais ao ponto de não suportar estar longe e Hayley acabou terminando comigo por isso. As minhas atitudes fizeram com que ela desacreditasse nela e nos sonhos que ela tinha! Ouvir isso me doeu tanto. Eu não aguentei tle fui atrás dela na cidade vizinha onde ela estava fazendo um curso para mixagem ou algo assim, acabou que nos resolvemos. Nunca mais fomos tão longe nas discussões ao ponto de terminarmos, mas vez ou outra nos estranhamos. — Kehlani riu. — Ela é a mulher da minha vida e nunca, nunca mais quero estar longe dela de novo!
— Isso foi tão lindo. — Demi disse sentindo os olhos marejarem.
— Vai chorar, amiga?! Que isso. — Kehlani tocou-lhe o ombro e riu.

— Eu achei que tivesse encontrado essa pessoa da qual não ficaria longe, sabe? Mas não era real, ele apenas me usou. E a pior coisa é se decepcionar tanto, mais tanto com alguém ao ponto de achar que sentir esse amor por outra pessoa não seja mais possível. — Demi fechou os olhos por alguns segundos e suspirou. — Kehlani, eu cheguei aqui tão quebrada que nem sei te dizer. Eu só quero seguir minha vida e sentir que tudo vai dar certo, entende? Tudo está bem agora, mas sinto que ainda tem coisas ruins para acontecer e não sei se estou preparada para alguma reviravolta.
— Não sei o que esse macho te fez, mas posso garantir que só tem coisa boa esperando por você lá na frente. O.k? Não se prenda ao passado. — Ela assentiu e Kehlani levantou-se abraçando-a de lado logo depois. — Vai dar tudo certo, você vai ver. — Demi sorriu sentindo o beijo em sua bochecha. — E se não der, você tem amigos com quem contar!
— Obrigada, amiga. — Ela disse baixinho.

****

          Demetria tomava banho enquanto refletia sua conversa com Kehlani, ela estava feliz pela amiga ter aparecido de surpresa e tê-la salvado de todos aqueles pensamentos que lhe causavam insegurança! Ela finalizou o banho alguns minutos depois, enrolou uma toalha no corpo e outra na cabeça. Caminhando pelo corredor, ela cantarolava baixinho a música que havia dançado com Jesse na noite anterior e sorria boba consigo mesma pensando nele. Deveria comprar um celular assim que tivesse dinheiro suficiente para um, tinha a sensação de que conversar com ele no decorrer do dia demonstraria um pouco mais seu interesse de conhecê-lo... ela estava ansiosa para isso! Ao chegar no quarto, secou seu corpo e escolheu uma roupa confortável para vestir, ela levou alguns segundos para fazer isso. Logo depois parou em frente ao espelho, livrou-se da toalha e pegou um pente para pentear os cabelos. O telefone tocou e chamou a atenção de Demi, provavelmente era uma das meninas ou até mesmo Joe para saber da noite anterior. Ela estava com saudade dele, eles não haviam conversado tanto no pub e ele parecia tão cansado ao ir embora! Pela primeira vez naquele dia, Demi se perguntava se ele estaria bem. Ela apressou-se pelas escadas e atendeu o telefone com certa ansiedade.

— Joseph é você? — Ofegou.
— Demi é a Camila. — A voz da outra ao lado da linha fez com que ela ficasse em silêncio por alguns instantes.
— Eu não esperava que você fosse falar comigo e muito menos me ligar, confesso que não sei o que dizer agora. — Demi disse passando uma das mãos pelos cabelos.
— Me desculpe por não ter falado com você antes, eu realmente sinto muito e queria sair correndo para te dar um abraço. — Ela franziu o cenho. — Eu não fazia ideia do que tinha acontecido com você e foi tão cruel! Assim que sair da escola vou até ai falar com você, o.k? Vou sair lá pelas 18:30. Eu posso ir ai na sua casa?

— Fico feliz que queira falar comigo, eu só não estou entendendo do que você está falando. O que foi tão cruel?
— Está na televisão, Demi. — Demetria sentiu o coração apertar no peito e lentamente caminhou até a sala segurando o telefone. Ela pegou o controle, ligou a televisão e logo no canal do noticiário viu o motivo da ligação de Camila! O telefone escorregou de sua mão, caiu no chão e ali permaneceu enquanto ela assistia e revivia aquele momento de caos em sua vida.

          "[...] Já faz um mês desde que as autoridades internacionais buscam o golpista que enganou e roubou quatro mulheres ao longo desse último ano. Vamos relembrar os casos e quem sabe assim conseguir que esse criminoso seja capturado!"

          Era o segundo dia de interrogatório e Demi precisou de muita força para não chorar ao relatar os acontecimentos com clareza na esperança de suas palavras ajudassem as autoridades. Foram horas presa naquela sala, mas o momento em que ela sentiu-se sufocada foi quando saiu do prédio! Havia inúmeros profissionais da imprensa gravando e logo quando viram que ela estava saindo, foram rapidamente na direção dela. A advogada que representava as vitimas de Guilherme também estava representando Demetria e logo que viu sua cliente vulnerável, correu para afastar os curiosos.

— Srta. Torres! Srta. Torres! Você sabia que ele era um criminoso?
— Se eu soubesse não estaria aqui! Estaria? — Demi respondeu sem conseguir conter sua raiva.

— Você não precisa responder nenhuma pergunta. — Hailee disse tendo um dos braços em volta de seus ombros guiando-a até seu carro.

— Srta. Torres é verdade que pretendia se casar com ele?
— Eu não sabia quem ele era. Será que pode me deixar em paz?

— Srta. Torres, como está se sentindo com tudo isso? — Demetria parou de repente, livrou-se do braço que a rodeava e Hailee voltou-se para ela confusa.
— Você por acaso se importa? Algum de vocês realmente se importam? Se soubessem ou pudessem sentir um pouquinho da minha dor, não estariam com uma maldita câmera apontada pro meu rosto! Aquele cara me usou, fez com que eu me apaixonasse por ele e roubou todo meu dinheiro. O CARA QUE ME JUROU AMOR ETERNO ME VIOLOU! ELE ACABOU COM A MINHA VIDA E VOCÊS AINDA OUSAM ME PERGUNTAR COMO ESTOU ME SENTINDO?! VÁ SE FODER! FODA-SE TODOS VOCÊS! — As lágrimas vieram e Hailee não precisou gritar para que ninguém abrisse caminho para elas, eles fizeram isso em silêncio sem dizer ou perguntar mais nada.

****

          Joseph estava jantando quando ligou a televisão e viu a reportagem, ele largou imediatamente tudo para trás e correu para o carro. Suas mãos tremiam pela preocupação que sentia e pelas inúmeras maneiras de Demi estar lidando com aquela situação! Ele nem precisava levar uma das mãos ao peito para ouvir seu coração bater de forma descontrolada, ele ouvia e o ouviu ao longo de todo caminho. Os dez minutos pareceram uma eternidade até chegar na casa dela! Ele estacionou a caminhonete de qualquer jeito e desceu rapidamente correndo em direção a varanda. Joseph bateu na porta e não obteve resposta. Ele abriu a porta, entrou na casa e ouviu o barulho da televisão, ela havia assistido!

— Demi? — Chamou por ela enquanto caminhava pela casa. — Demetria? — Ele subiu as escadas tendo um déjà vu do dia em que encontrou ela quase morta no banheiro e apressou-se temendo o pior! O alivio que sentiu ao não encontra-la ali o fez suspirar e ele passou pelos outros quartos. Ela não estava em lugar nenhum!

— Onde você está? — Perguntou para si mesmo ao sair lá fora e olhou em várias direções até finalmente encontra-la.

          Ele desceu os degraus e caminhou por alguns instantes até estar mais próximo. Ele ouviu que ela chorava e não conseguiu mais ficar longe, tocou-lhe o ombro e sentou-se ao lado dela na grama. Ela olhou para ele com os olhos repletos de lágrimas e o abraçou tendo os braços de Joe em volta dela sem dizer verbalmente o quanto precisava deles. Joseph beijou o topo de sua cabeça, afagou suas costas e ficou em silêncio até que ela estivesse pronta para falar. O celular de Joe não parava de vibrar em seu bolso e ele imaginou que fosse o pessoal perguntando sobre Demi ou sobre a reportagem! Se alguém sabia daquilo, estava na cara que era ele.

— Eu esperava que fosse aparecer. — Demi disse com certa dificuldade. A voz dela estava tão fraca que Joe imaginou que ela havia gritado bastante para não estar conseguindo falar direito!
— Mesmo?
— Sim, você foi a primeira pessoa que passou pela minha cabeça. — Ela olhou para ele e Joe secou suas lágrimas com a manga da blusa que vestia.
— Eu não poderia deixá-la sozinha depois do que aconteceu.

— Agora todo mundo sabe. — Demi disse com um certo pesar em sua voz. — Devem estar pensando coisa horríveis de mim.
— Como isso poderia ser culpa sua?
— Eu consigo imaginar Zara pensando que voltei por causa do dinheiro do Paul e... — Joe colocou o dedo indicador em seus lábios impedindo-a de continuar falando.
— Não importa o que ela ou qualquer outra pessoa pense, você sabe que isso não é verdade e eu também sei, então nada mais importa. O.k? — Demetria assentiu depois de um tempo e Joseph sorriu para ela.

— Eu sabia que em algum momento teria que contar, não sou ingênua ao ponto de achar que nunca mais falariam sobre o caso na TV, mas queria fazer isso no meu tempo. Entende? Com você foi fácil e saiu naturalmente como qualquer outra coisa, mas com eles não.
— Demi, eu tenho certeza que ninguém irá virar as costas pra você por causa disso.
— Nem mesmo o Jesse? — Joe espremeu os lábios numa linha reta e suspirou baixinho enquanto pensava, ela parecia gostar mesmo dele.
— Ele seria um babaca se fizesse isso com você. — Demi sorriu fraco.
— Eu espero que você esteja certo. — Ela encarrou o lago na frente dele. — Ele é o primeiro homem que apareceu na minha vida depois de toda essa loucura e quero me dar uma chance de gostar de alguém de novo, Joseph. Acha que consigo fazer isso?
— Acho que você tem força o suficiente para conseguir conquistar o coração dele ou qualquer outro que esteja no seu caminho. — Joe riu baixinho sentindo o coração apertar no peito. "Você está deixando-a ir de novo, idiota!" A voz veio como um grito em seus pensamentos e ele fechou os olhos por alguns instantes.
— Obrigada por isso, Joe. — Ela segurou uma de suas mãos e encostou sua cabeça no ombro dele enquanto assistia o sol desparecer pintando o céu. — Eu te amo. — Demi não sentiu os arrepios que causou na pele dele e muito menos ouviu o coração dele bater descompassado pelas palavras dela. Ele escondia muito bem os próprios sentimentos, sempre soube fazer isso como ninguém e talvez Demi nunca fosse saber o que ele realmente sentia! "O que realmente sinto..." pensou Joe consigo mesmo e suspirou. Quem ele estava tentando enganar? Seu coração ainda batia forte por ela e isso nunca havia mudado!
Eu também te amo, Demi. — Disse sentindo o coração transbordar junto com as palavras que ela nunca saberia o real significado.


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meninas, eu posso até demorar a postar por algum problema, mas quando eu volto... ah, é com um capítulo de abalar as estruturas! as lágrimas vieram com esse final e não estou sabendo lidar.
enfim, eu espero que vocês estejam bem e que tenham gostado do capítulo! estou preparando o próximo e espero ter voltar mais rápido dessa vez, estava com saudade de vocês ❤
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obrigada por esperarem por mim e por essa história linda que tem muito para contar. amo vocês! até mais.